CICLO DO OURO E CHAFARIZES

SANTOS, José. Sabará: A Cidade da Gente / Organização José Santos e Selma Maria;
Ilustrações Helena Küller - São Paulo: Olhares, 2022. 80p.

A nossa história começa com o Ciclo do Ouro. Os professores Alexsander Mário da Cunha, Barbara Luise Lins Ribeiro e Eliane Rodrigues Da Silva, da Escola Municipal Edith de Assis Costa, escreveram com a turma 601 sobre o tema. Para enriquecer a produção, entrevistaram o professor de geografia Edvaldo Rocha da Silva.

Ciclo do Ouro foi o período da história do Brasil, entre os séculos XVII e XVIII, em que esse metal precioso era a principal riqueza do país. Sabará teve importante papel na época, pois foi um grande polo de extração. Exportou tanto do minério para a Coroa Portuguesa que se instalaram aqui a Casa da Intendência e a Casa de Fundição.

A Casa de Fundição, que começou a funcionar em 1734, fundia o ouro extraído e transformava-o em barras, para facilitar a cobrança de impostos. Em 1736, entretanto, deixou de existir e deu lugar à Casa da Intendência, que era responsável por distribuir as terras para exploração do ouro, além de fiscalizar e cobrar impostos. Após 15 anos, as duas casas foram restabelecidas de maneira conjunta. Funcionaram até o início da década de 1830, e seu prédio foi tombado em 28 de junho de 1950.

Para quem não sabe, tombar um lugar ou bem é reconhecer sua importância histórica, artística e/ou cultural, para tornar tal bem ou lugar um patrimônio oficial. Essa palavrinha vai aparecer muito neste livro, então é bom se lembrar do que ela significa!

Depois de ter sido propriedade particular, o edifício foi inaugurado como o Museu do Ouro em maio de 1946, a fim de registrar a história da exploração do ouro na região anteriormente conhecida como Capitania de Minas Gerais. Ali, estão guardados objetos e equipamentos utilizados na mineração. E, o museu ainda conta com muitos documentos da época e livros sobre a história do estado mineiro e do país, arquivados em uma biblioteca em outro prédio, a Casa Borba Gato. Na, veremos uma incrível alquimia, de como este assunto pode virar poesia.

A cidade de Sabará nasceu
Da busca pelo ouro
Com a chegada dos bandeirantes
E de seus acompanhantes

Se chama Ciclo do Ouro
O período da história do Brasil
Da extração e importação do ouro
Que Sabará muito contribuiu

Nossa cidade é muito importante
Para a história do ouro no Brasil
Pois tínhamos a Casa da Intendência
Para cobrança do “quinto”
Do ouro que ela extraiu

Sabará com suas riquezas
para Coroa Portuguesa contribuiu
Hoje o Museu do Ouro
É um dos mais antigos do Brasil
Criação coletiva dos alunos da turma 601 E.M. Edith de Assis Costa

Andar por Sabará é como ter uma aula de história… Por causa de sua participação no Ciclo do Ouro, pelas ruas é possível ver várias construções da época colonial, como os chafarizes. Esse foi o assunto da pesquisa da turma de 6º ano da Escola Municipal Vereador José Lopes, acompanhada pela professora Mônica Brandão e pelo bibliotecário Marcos Martins.

Os dois chafarizes sabarenses mais famosos são o chafariz do Kaquende e o chafariz do Rosário. O chafariz do Rosário foi construído em 1752, mas ficava em um lugar diferente do que o atual, na lateral esquerda da Igreja do Rosário.

Essa igreja é conhecida como Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e existe uma lenda em torno dela. Os estudantes fizeram um poema contando em versos um pouco mais sobre sua história:

Em 1768, numa cidade pequena
Uma igreja inacabada
Que pelos negros escravizados
Fora levantada
A liberdade chegou
Marcada na história
Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Foi o nome escolhido
Mas quem vê as ruínas
Nem imagina o que há escondido
Reza a lenda do lançamento de uma praga
Que jamais a igreja será terminada.
6° ano E.M. Vereador José Lopes

Já o chafariz do Kaquende foi construído em 1757 por João Duarte e José de Souza, e suas águas vêm do morro São Francisco. No passado, era ornamentado por armas portuguesas, que foram retiradas depois da Proclamação de Independência do Brasil. Seu nome pode ter diferentes origens. Em tupi-guarani, significa “água cristalina que dali brota”. Existem muitas lendas em torno desse chafariz, uma delas é que o viajante que beber da sua água retornará à Sabará algum dia.

 

Chafariz do Kaquende

Construído em 1757
Por João Duarte e José de Souza
Embebido por águas claras e cristalinas
Chafariz do Kaquende
Monumento histórico-cultural de Sabará
Diz a lenda que quem de sua água bebe
À cidade voltará ou nela morará
Outra crença popular diz:
Quem dessa água bebe à cidade retornará.
Turma 601 | E.M. Vereador José Lopes